"Assim, o mal que mais assusta, a morte, não é nada para nós, pois, quando existimos, a morte não está presente, e, quando a morte está presente, deixamos de existir".
segunda-feira, 17 de maio de 2010
A MORTE NO SENTIDO FILOSÓFICO
A MORTE NÃO É NADA PARA NÓS
A MORTE, SEPARAÇÃO DA ALMA E DO CORPO (segundo Descartes e Platão)
A metafísica materialista permitiria livrar a humanidade de um de seus maiores temores: o temor da morte. Os homens têm, realmente, medo da morte e fariam de tudo para evitá-la. Mas, o que temem nela? É precisamente o salto no absolutamente desconhecido. Não sabem o que os espera e receiam confusamente que terríveis sofrimentos lhes sejam infligidos, talvez em punição de seus atos terrestres. Os cristãos, por exemplo, imaginariam que qualquer um que tenha agido mal e não tivesse obtido o perdão de Deus iria assar nas chamas do inferno. O medo da morte está relacionado com as superstições religiosas de que a metafísica materialista nos liberta. Ademais, se tudo no universo é feito apenas de matéria e, se nós, como todos os seres vivos, somos apenas nossos átomos que se separam, que se desagregam, é apenas nosso corpo que se decompõe, primeiro num ponto (o que está ferido ou doente), depois em todos. Por conseguinte, nada de nosso ser sobreviveria, não haveria nada depois da morte, a morte não seria nada para nós". Aqueles que pensam que a vida do corpo, o pensamento, a sensação, o movimento vêm da alma e que essa alma poderia sobreviver após a morte do corpo, estariam, então, errados? Pois a própria alma é feita de matéria, por certo mais sutil, quase invisível; mas se ela não passa de uma agregação de átomos, ela também se decompõe quando sobrevém a morte, e até, de acordo com a experiência mais comum, deve-se pensar que é a primeira a decompor-se pois que a morte se mostra imediatamente privada de vida, de sensação, de pensamento e de movimento, enquanto o resto do corpo ainda parece quase intato e levará alguns dias antes de começar a decompor-se. Falam-lhe, tocam-no, beliscam-no e ele não tem nenhuma reação, não manifesta nenhum sentimento....A morte se caracteriza bem, em primeiro lugar, pela ausência de sensação. Epicuro pode escrever:
"Habitua-te com o pensamento de que a morte não é nada para nós, uma vez que só há bem e mal na sensação, e a morte é ausência de sensação".
De fato as sensações que temos de nosso corpo e, através dele, das coisas do mundo são a fonte de todo conhecimento, e também de todo o prazer e de toda dor; portanto o verdadeiro lugar de todo bem e de todo mal, já que o bem real é apenas o prazer e o mal, a dor. Podemos denominar o prazer de Epicuro como um "sensualismo" que fundamenta toda a vida interior na sensação. Como a morte seria o desaparecimento das sensações, não poderia haver nenhum sofrimento na morte, nem sobretudo depois da morte. Tampouco poderia haver sobrevivência da consciência , do pensamento individual. Epicuro tem ainda esta bela frase:
"Assim, o mal que mais assusta, a morte, não é nada para nós, pois, quando existimos, a morte não está presente, e, quando a morte está presente, deixamos de existir".
"Assim, o mal que mais assusta, a morte, não é nada para nós, pois, quando existimos, a morte não está presente, e, quando a morte está presente, deixamos de existir".
Em conseqüência, posso viver, agir e aproveitar os prazeres da vida sem temer nenhuma punição depois, sem estragar minha vida angustiando-me com a idéia do que me espera. E, até sei doravante que é aqui e agora que tenho de ser feliz, nesta, vida, pois não tenho nenhuma outra. Minha felicidade na vida é um caso sério que não aguenta nenhuma espera. Tal é o ensinamento da sabedoria materialista.
Seria precisamente isso que se passaria por ocasião da morte: a alma deixa o corpo e para de proporcionar-lhe a vida. Mas ela mesma continua sua própria existência, daí em diante puramente espiritual. Essa concepção recentemente recebeu confirmações inesperadas, na forma de depoimentos referentes a experiências individuais, paradoxalmente tornadas possíveis graças aos progressos da medicina, que permitem trazer de volta à vida pessoas quase mortas. É verdade que esse retorno parece às vezes milagroso, nos casos em que a morte foi clinicamente constatada. Ora, de modo perturbador, esses sobreviventes narram todos praticamente a mesma coisa: viram o próprio corpo à distância, e os médicos a se afobarem em volta dele, como se os espíritos deles flutuassem na sala, como se fossem capaz de ver um modo diferente do que pelos olhos do corpo. Ouviam as conversas dos médicos, mas em compensação não sentiam dor corporal. A alma deles vivia, portanto, separada do corpo, exatamente igual ao que afirma a maior parte das religiões.
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